Institucional

Discurso do Sr. Bartolomeu Barros no aniversário de 80 anos.

Nos idos de 1920/1922, um jovem empreendedor, após concluir seus estudos em nossa capital e onde estagiou em grandes firmas existentes na época, resolve retornar as suas origens e funda uma loja no povoado de Maravilha; após anos de luta e desafios chegou a conclusão que não havia como crescer naquela localidade e resolve se transferir para a sede do município.

Começa uma nova vida no prédio hoje ocupado por Lourival Madeiras

Inquieto,empreendedor,inteligente,progressista vai percebendo os ramos de produtos não vendidos no comércio local e começa a incluir em sua loja de ferragens seção de armarinho: tudo para confecção de roupas,miudezas, perfumarias, onde era exclusivo distribuidor de grandes marcas da época como Coty e Mururgia, louças e vidros cristais para uso doméstico,livraria, papelaria e material de escritório, vidros planos para construção, material de construção e por fim, medicamentos para concorrer com a única farmácia da época, o que lhe custou muita dor de cabeça por parte do farmacêutico de então.

Criterioso ao extremo, pregava entre seus funcionários essa qualidade como ponto principal de todo negócio. Era seu Nezinho um apóstolo para com quem teve a oportunidade de trabalhar; não se cansava de ensinar por muitas vezes as maneiras do bom atendimento onde quer que se trabalhasse. Citava sempre que hoje você está aqui, amanhã poderá se deslocar para outras cidades e o bom desempenho no atendimento ao cliente é a base primordial para quem luta com o público. Ingressando nessa atividade com apenas o curso primário, muito vim aprender com esse homem que não se cansava de ensinar e orientar seus funcionários. Tudo que aprendi em comércio devo a esse bem-feitor iluminado por Deus.

Após tantos anos de trabalho e ainda moço fora vítima de mal incurável que tirou-lhe a vida aos 56 anos quando tinha ainda muito a desfrutar de sua vida de luta.
Sabendo que não viveria por muito tempo, convidou-me e ao seu sobrinho, propondo vender seu negócio aos dois jovens que sabia capacitados a continuação de seu empreendimento; veio a falecer no ano seguinte deixando um manancial de boas ações. Assumimos a firma em 1953 e oficialmente em fevereiro de 1954.

Apegamo-nos com unhas e dentes e lutamos com toda a força da juventude para perpetuação do negócio.

Passamos por grandes dificuldades, pois a partir daquele época, o país entra em um processo de inflação galopante que se estendeu por cerca de 30 anos. Nesse período fomos forçados a vender algumas seções e assim agimos para o bom desenvolvimento da firma.

Vendemos a parte de miudezas ao Sr. Manoel Constantino de Melo, armarinhos vendemos a Maria Carmelita e Socorro Malta, livraria e papelaria a Ana Agra, vidros de construção ficou com Gileno Carvalho, ex-estagiário em nossa firma, perfumarias vendemos a Elúsia Alves Gomes e tempos depois vendemos louças e cristais ao supermercado Ouro Branco.

Em 1973, inauguramos uma filial em Paulo Afonso onde nosso sócio Jugurta gerencia juntamente com seu filho Virgilio, o genro Eduardo e Elias.

Temos hoje, um número de 60 (sessenta) colaboradores que são na verdade, o motivo principal de nossa continuação nessa atividade.

Não fizemos maior progresso, levado pelo abandono do homem do campo pelos poderes constituídos, pois a maior fonte de renda de nossa economia é agricultura e a pecuária da região. O empobrecimento do produtor rural vem prejudicando o crescimento do sertão e proporcionando um êxodo rural grandioso.

Depoimento do Sr. Jugurta Nepomuceno - Extraído da Revista Paulo Afonso - Edição Maio/2000

Impressionados com os efeitos da famosa seca de 1970, junto com o meu sócio em Santana do Ipanema, Bartolomeu Barros, resolvemos construir uma filial da nossa loja em Paulo Afonso que na época vivia o auge do ciclo da construção das usinas hidrelétricas.
Acreditávamos ser esta uma alternativa para enfrentar os riscos da sazonalidade da seca.
Inauguramos,então, em fevereiro de 1972, a Casa O Ferrageiro, em Paulo Afonso-BA.
Contamos, na ocasião, com a bênção do então pe, Alcides.
Podemos dizer,hoje,depois de 28 anos, que vale a bênção, valeu a fé.
A Casa o Ferrageiro, ao longo destes anos,aumentou suas instalações e seu quadro de funcionários; tem sido fornecedor de materiais de construção e equipamentos agrícolas para toda a região, atendendo a milhares de clientes.